Do que as crianças precisam nesta volta às aulas?
20 de Agosto de 2009 @ 11:49 - adminArquivado sob Geral | Link desta publicação | Enviar por e-mail
Desde hoje, muitas crianças e jovens deixaram de desfrutar as férias prolongadas. Muitos voltaram animadíssimos para a escola porque não agüentavam mais o ócio e sentiam falta do convívio com os colegas. Outros voltaram contrariados porque, afinal das contas, não ter obrigações nem responsabilidades é bem mais fácil do que dar conta dos compromissos.
A questão é que, dentre tantos alunos, muitos deles voltarão fragilizados, vulneráveis, receosos. Foi muita falação a respeito da gripe, formas de contágio, mortes provocadas por ela, recomendações de prevenção etc. que à algumas crianças, indefesas perante tantas informações do mundo adulto com as quais não sabem lidar, só resta a alternativa de sofrer. Sofrer inutilmente, diga-se de passagem, já que nada podem fazer.
Outros, diferentes, irão tentar se aproveitar do temor e da impotência dos adultos para “deitar e rolar”: a todo instante pedirão para ir ao banheiro lavar as mãos e, assim, se ausentar do duro aprendizado em sala de aula; vão tossir com frequência para tirar risos dos colegas, dizer à professora que não deu tempo de fazer a lição porque teve febre etc. Essas são apenas outras maneiras de a criança mostrar a fragilidade que tomou conta dela. Outros, ainda, poderão, de fato, sentir os sintomas de uma doença que não têm.
Quando crianças ficam fragilizadas, doentes, em geral os adultos têm alguns recursos compensatórios: doces, guloseimas, mimos dos mais variados tipos, carinhos acolhedores etc. Mas, desta vez, não será disso que elas irão precisar.
Lembrei-me de um trecho do filme “Nanny McPhee”. As crianças, que não queriam sair da cama pela manhã, decidem enganar a babá encantada e dizer que estão doentes. A cozinheira, ao saber do fato, se desespera porque sabe que, em caso de doença das crianças, precisa dedicar horas na cozinha para fazer todo o tipo de doces que elas gostam. Entretanto, a babá muda o roteiro e pede que ela faça uma sopa com todos os restos de alimentos disponíveis. Uma sopa forte e substanciosa, porém de sabor e cheiro pouco agradáveis.
Pensando bem, é dessa sopa que as crianças que voltarem fragilizadas para as aulas precisarão. Se os professores ficarem penalizados com o estado dessas crianças e acolherem todo o seu sofrimento, estas perderão a grande chance de uma grande lição. Qual lição?
A de que, mesmo em situações difíceis, penosas e complexas, é possível usar todo o potencial que têm para seguir em frente na vida, superar os problemas, se descolar deles.
É dessa maneira que pais e professores podem colaborar com as crianças neste momento: exigindo que façam o que podem e devem fazer, sendo rigorosos e firmes para que não fiquem perdidos perante a ameaça que sentem e, desse modo, possam voltar a ter as preocupações que lhes são pertinentes.
Que as crianças tenham um bom retorno às aulas!
Rosely Sayão
Fonte: http://blogdaroselysayao.blog.uol.com.br/arch2009-08-16_2009-08-31.html
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