FAMÍLIA E ESCOLA: Uma via de mão dupla

21 de Janeiro de 2009 @ 19:06 - admin
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FAMÍLIA E ESCOLA: Uma via de mão dupla
Tânia Zagury
“Escola sem Conflito: parceria com os pais”

Criar filhos, educá-los, prepará-los para agir com respondabilidade e segurança no conturbado mundo em que hoje vivemos é uma tarefa tão exigente e desafiadora quanto prazeroza e gratificante.
Considerando que o ser humano aprende o tempo todo, nas mais diversas instâncias que a vida lhe apresenta, o papel da família é fundamental, pois é ela quem decide, desde cedo, o que seus filhos precisam aprender, quais as instituições que devem freqüentar, bem como o que é necessário saber para tomarem as decisões que os beneficiem no futuro.
Escolher a escola adequada às expectativas da família e que, ao mesmo tempo, seja do agrado da criança, é um empreendimento cujo sucesso depende, em grande parte, da perspicácia e habilidade dos pais ao avaliar diferentes propostas. Estar atento ao projeto educativo e ao perfil disciplinar da instituição auxilia a optar por aquela cujos valores e fundamentos mais se assemelham aos da família em termos de exigências, posturas, visão de mundo. Conhecer as dependências e possibilidades da escola, seus diferenciais, bem como os profissionais que estarão encarregados da educação de seu filho também é recomendado.
Tanto quanto a convivência e o relacionamento familiar são fatores fundamentais para o desenvolvimento individual, a inserção da criança no universo coletivo, a mediação entre ela e o mundo, entre ela e o conhecimento, sua adaptação ao ambiente escolar, o relacionamento com os professores e funcionários da escola, bem como a convivência com os colegas são fatores decisivos para o seu desenvolvimento social.
Essa reflexão nos leva a perceber que família e escola não podem caminhar dissociadas, por vias opostas ou paralelas. Deve haver uma sintonia de valores, objetivos, filosofia, pensamento, desenvolvimento e forma de educar que tragam resultados satisfatórios e abrangentes. Isso significa parceria. Uma parceria que tem início com o ingresso do aluno na escola e só é interrompida com a sua saída.
Ao valorizar e acompanhar as atividades e tarefas e ao manter contato contínuo com a escola, a família participa de forma decisiva nessa parceria que tem por objetivo principal o crescimento integral do filho.
Um dos pontos fundamentais da parceria entre a família e a escola consiste no acompanhamento dos pais em relação à rotina de estudo dos filhos e isso ocorre com bastante eficácia através da formação de hábitos desde cedo, que podem ser adquiridos a partir das seguintes orientações.

Hábitos de Estudo

Prestigiem as tarefas escolares, desde um simples rabisco que, apesar de ser algo aparentemente simples, possui uma representação e um significado enormes para a criança.

Arrumem um espaço que será o local de estudo do seu filho. Isso certamente favorecerá a valorização dada ao estudo por parte do aluno.

Demonstrem orgulho e prazer. Serem felizes e estarem alegres porque seu filho está estudando é uma ótima maneira de começar a fazê-lo gostar dos estudos e dos livros, não associando escola com obrigação, mas com prazer.

Combinem com a criança o horário das tarefas. Desse modo, juntos, vocês terão condições de decidir qual o momento em que o estudo renderá mais. Estabelecido o horário, busquem diariamente lembrá-lo de que está na hora de fazer as atividades ou de estudar.

Procurem supervisionar as tarefas solicitadas pela escola. Ao chegarem em casa, verifiquem se as atividades registradas na agenda foram realizadas ou não pelo seu filho. Depois de algumas semanas, ele certamente criará o hábito. No entanto, lembrem-se de que uma criança é diferente da outra. Algumas nem precisam de estímulo – adoram fazer as tarefas, são caprichosas e responsáveis por natureza; outras precisam de um pequeno empurrãozinho no início e outras, ainda, demandam supervisão mais prolongada.

Lembrem-se de que nenhuma criança obedece a tudo, sempre. Não se assustem se certo dia o seu filho chegar até vocês e disser: “Não quero fazer a tarefa de casa hoje. Vou jogar bola”. Ou coisa que o valha. Procurem agir com calma, porém de modo firme, seguro e decidido. Encaminhem-no ao seu local de estudo e digam que loge que ele terminar de estudar, se tiver feito tudo caprichado, ele irá brincar.

Busquem elogiar sempre seu filho. Quando ele estiver cumprindo o que foi combinado, elogiem e valorizem o seu esforço. Assim, ele sentirá que vocês sabem reconhecer o que foi caprichado e logo perceberá que é melhor fazer as atividades de modo bem-feito.

Tenham paciência. Bons hábitos não são adquiridos em somente um dia. Como o próprio significado coloca, hábito quer dizer: “Disposição duradoura adquirida pela repetição freqüente de um ato, uso, costume”. O dicionário Aurélio acrescenta ainda que hábito significa “maneira usual de ser” e este é um dos nossos maiores objetivos: o de transformar o estudo e a curiosidade intelectual em algo que faça parte da pessoa. No entanto, essa segunda etapa vai surgir apenas depois que tivermos trabalhado muito nesse sentido, pois será o resultado de muita dedicação, repetição, paciência e decisão dos pais.

Não esperem que seu filho acerte sempre todo o trabalho. As atividades solicitadas aos alunos não têm como objetivo maior o acerto total de todas as questões. Elas possuem dois objetivos principais:

a)propiciarem ao aluno tempo e possibilidade de fixação dos conteúdos que estudou;

b)permitirem que o estudante perceba o que de fato aprendeu e o que ainda precisa ser assimilado de modo mais intenso.

Expliquem o que seu filho lhe perguntou, e apenas isso. Se seu filho tem alguma pergunta a fazer, procurem esclarecer apenas a sua dúvida. Não façam o exercício ou determinado trabalho para ele. Expliquem o que ele deseja saber e deixem que conclua o resto. Está é uma excelente maneira de orientar e supervisionar os estudos, que não gera dependência, que o estimula a progredir, a criar autonomia e, assim, ser o próprio construto de seu conhecimento.

Família e escola são pontos de apoio e sustentação ao ser humano; são marcos de referência existencial. Quanto melhor for a parceria entre ambas, mais positivos e significativos serão os resultados na formação do sujeito. A participação dos pais na educação formal dos filhos deve ser constante e consciente. Vida familiar e vida escolar são simultâneas e complementares. É importante que pais, professores e filhos/alunos compartilhem experiências, entendam e trabalhem as questões envolvidas no seu dia-a-dia sem cair no julgamento “culpado x inocente”, mas buscando compreender as nuances de cada situação, uma vez que tudo o que se relaciona aos filhos tem a ver, de algum modo, com os pais e vice-versa, bem como tudo que se relaciona aos alunos tem a ver, sob algum ângulo, com a escola e vice-versa.

Assim, cabe aos pais e à escola a preciosa tarefa de transformar a criança imatura e inexperiente em cidadão maduro, participativo, atuante, consciente de seus direitos e deveres, possibilidades e atribuições.

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